20/08/2009

O SENHOR DOS LIVROS


Praça da República em Santa Maria de Belém do Grão Pará. Manhã de domingo prenhe de sol. Caminhava pelas calçadas com minha inseparável bolsa à tira-colo e alguns livros e folhetos na mão à caça de leitores dispostos a comprá-los. De repente, um grito de menina ecoa na multidão de traseuntes:

- Olhe, mamãe, o senhor dos livros!

Evidentemente que a intenção da garota foi chamar a atenção da mãe para a minha presença, nomeando-me através da mercadoria que apregoava. Talvez até já me conhecesse de outras praças, escolas, feiras...

A frase, dita assim de surpresa, soou diferente aos meus ouvidos: foi como se ela falasse de alguém com poderes mágicos e absolutos sobre os livros a exemplo de “O Senhor dos Anéis”, “O Senhor dos Ventos”...

E foi assim que me vi, repentinamente, transformado no fantástico Senhor dos Livros, um mago ou super-herói vestido de palavras e transferindo a eles, os livros, com a força do meu cajado, poderes para atrair as pessoas para dentro de suas páginas, para o mundo mágico da leitura. Ah!, quem me dera, quem me dera!...

4 comentários:

  1. Toni Cabano26/08/2009 14:37

    "... no fantástico Senhor dos Livros, um mago ou super-herói vestido de palavras e transferindo a eles, os livros, com a força do meu cajado, poderes para atrair as pessoas para dentro de suas páginas, para o mundo mágico da leitura. Ah!, quem me dera, quem me dera!..."

    Juraci, meu mano da cultura papa chibé, sem dúvidas és " o senhor dos Livros" e tens esse poder, nem todos os lugares do Brasil tem um cidadão andando nas praças e etc. com livros para vender ou com o coração na mão, entregando a cada amigo que passa, o único problema do coração é que ele acaba rápido, pois é uma cidade inteira de amigos.

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  2. Que tal, mano, qualquer dia desses alguém também pode gritar: "O Senhor dos Coraçõeeees!!", e serás o poeta que mais já doou corações para os corações de muita gente, ichi! beijos. Helena.

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  3. "O Senhor dos Livros", "O Senhor dos Corações", " O Senhor dos Chapéus", "O Senhor das Trovas"... Logo eu, que, parafraseando Rodrigues Crespo, "não sou senhor nem de mim..."
    Obrigado, amigo Toni Cabano, obrigado, mana, pelo carinho.

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  4. Doce e surpreendente texto, você consegue com toda modéstia captar com sensibilidade a frase de uma criança e torná-la poesia a partir da reflexão sobre os sentidos diversificados, diversos, fincados no consciente e inconsciente coletivo.

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