Vou pela vida carregando às costas
meu jamaxim de sonhos e pesares
repleto de ideais pirateados
comprados no comércio de ilusões.
Eu sou aquele que se cria criando:
faço o próprio caminho e sigo em frente
à demanda de mim em mim perdido
ocultando em mim mesmo o que procuro.
Há um boto escondido em meu destino
que procura enganar-me a todo instante,
que me faz pescador, anzol e peixe
na tentativa de me confundir.
Ah! esse boto! Sagaz capitalista
a emprenhar, sem dó, meu jamaxim
de tudo o que meu ser jamais precisa
para desabrochar livre e feliz.
E enquanto eu carecer de bugigangas
( relógio, celular, cartão de crédito ),
perdido vagarei sem rosto e rastro,
distante do meu povo e do meu chão.
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( Poema premiado no XII Festival de Poesia
de Santarém, Salão do Livro, 28/11/2009)


