03/08/2013

CIVILIZAÇÃO



Tantos rostos perdidos
na imensa avenida
que a lida transforma
num abismo sem fim.

Tantas mãos que tateiam
pela escuridão
à cata de amor,
de abrigo, de pão...

Ouvidos atentos
que nada mais ouvem,
olhos abertos que nada mais vêem,
pés que se movem no mesmo lugar...

Pobre caminheiro sem caminho,
pássaro sem asas e sem ninho!

Triste animal que ri da própria sorte,
que sepulta a vida e ressuscita a morte!

Mas a festa continua e ele dança.
Dança e canta,
canta e cansa,
cansa e morre
porre de orgulho e presunção
por ser integrante
de tão propalada
civilização!!!


Fonte: Incêndios e Naufrágios - Antologia Poética

Um comentário:

  1. Nalva Santos23/03/2015 21:18

    Linda Poesia, de linguagem atual e que trás uma reflexão da realidade vivida por milhares de pessoas, não só no estado, mas no mundo. Por isso a escolhi para um trabalho escolar com meus alunos. Continue produzindo você é maravilhoso.

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