10/01/2013

PAPO CHIBÉ COM JABÁ




Ontem eu voltava dum rolé pelo Bengola por volta do meio-dia. Ao passar pelo Veropa vi, pelo rabo do olho, as canoas encalhadas na lama da doca... Égua não, mano, bateu uma baita saudade de quando em pirralho eu vinha do Cajari e ficava dias na canoa só na mutuca macuricando o furdunço da feira... Desci do ônibus e fiquei batendo pernas por lá, lembrando como era isso aqui no tempo do ronca. O pitiú continua o mesmo mas o resto mudou pra chuchu. De primeiro só havia canoa à vela e não tinha esse haver de carro esculhambando tudo. De tanto ficar zanzando feito um leso, me deu uma gastura no estômago, uma broca fumada! Me arranquei com mais de mil pras barracas de comida. Pedi um feijão bem adubado e ainda arrematei com uma tigela até o talo de açaí do papa, di rocha, moleque. Ralado é que quando eu estava no bem-bom, encostou na minha ilharga uma moleca entanguida e perebenta disque querendo que eu pagasse uma gelada pra ela. Ficou lá me sujigando, enchendo a perema. Tá, cheirosa! Só o meu fraco pra gastar meus borós com uma requenguela que nem conheço. Quando já estava bebendo a lavagem da tigela de açaí pra evitar azia, me aparece um porre muito do seu enjoado que foi logo empombando comigo. Axi, porcaria! Fiquei invocado com a fuleragem do cara só falando merda. Fiquei tão encaralhado que por pouco não lhe sapequei uns cocorotes. Mas aí, já com o estômago forrado, fui dar uma espiada nas barracas de cheiro-cheiroso e caí na besteira de perguntar pelo preço dum raminho de mucura-caá. Pra que: a mulher, talvez pensando que eu estivesse estribado, cheio do pacuru, arrepiou! Eguá! Se calhá ela me achou com cara de pomboca, que cara de gringo eu não tenho. Aqui, ó! Não dei na minha mãe...
Continuei batendo pernas e quando cheguei na Praça do Relógio foi que lembrei que depois de amanhã Belém estará completando 397 anos! E bastou dar uma abicorada na praça Dom Pedro II pra ver como a nossa cidade está mal cuidada! Lixo e cocô de urubu por todo canto, brinquedos escangalhados, tudo levando o farelo! Que cuíra me deu de querer fazer qualquer coisa ao menos pra atamancar. O novo prefeito vai ter que roer uma pupunha crua, trabalhar de-com-força se não quiser passar vergonha nos quatrocentos anos da outrora Cidade das Mangueiras.

Antonio Juraci Siqueira

Um comentário:

  1. Égua do texto porreta, meu mano!
    Gostei pacas!
    Um abração, Juraci.

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