31/07/2009

Escritores no balanço das águas do Marajó


Viagem de barco para Ponta de Pedras, para participação no I Jirau Interiorano de Literatura. No fragrante aparecem o poeta Antonio Juraci Siqueira, o cordelista Apolo de Caratateua, a jovem Leidiane, o escritor Salomão Laredo e a poeta Sônia Santos.

30/07/2009

O CANTO GRANDE


Meu primeiro dia de aula na Escola Municipal Mista São José do Cajari foi inesquecível.

A escola, verdadeiramente mista em número, gênero e grau, possuía, no lugar das carteiras, duas grandes mesas retangulares, compridas, com bancos corridos nas laterais. Tempo das canetas de penas metálicas, tinteiros e mata-borrões e cadernos de papel almaço feitos em casa.

Bicho do mato que só eu mesmo, sentei-me na extremidade de um dos bancos num canto da mesa, junto à parede para ficar sozinho e botei a boca no mundo quando alguém veio sentar-se ao meu lado. Dona Adélia, professora leiga de saudosa memória, quis saber a razão do berreiro, e eu, entre soluços, falei que queria um “canto grande” só para mim. Foi o bastante para eu ganhar meu primeiro apelido, causador de outros tantos dissabores na pequena escola plantada às margens do meu inesquecível Cajari.

Hoje, ficaria feliz se alguém me chamasse de Canto Grande, aquele que canta com altivez, que possui um canto maior. Quem sabe não está aí a razão do título do meu primeiro livro, o Verde Canto e da trilogia amazônica Canto Caboclo? O certo é que continuo querendo um “canto grande”, nos dois sentidos, se é que me entendem.

28/07/2009

Videos & Matérias


A lenda viva do boto Juraci no Marajó

Fotos & Imagens

Escritores paraenses em Ponte de Pedras, 1º Jirau Interiorano


Escritores a bordo



Inauguração do Espaço do Escritor Paraense "Max Martins"


05/07/2009

Uma Cabana Para o Escritor Paraense


“Quem casa, quer casa”, diz o rifão popular. Por isso, casado há mais de três décadas com a literatura, sempre busquei, ao lado de outros sem-tetos das nossas letras, um cantinho só nosso onde pudéssemos compartilhar sonhos e ânsias, trocar ideias e poemas, nos mostrar em trajes menores, de corpo inteiro. E nessa caminhada outros casais foram chegando e formando famílias: Associação Paraense de Escritores, União Brasileira de trovadores, Clube dos Poetas Paraenses, Malta de Poetas folhas & Ervas, Movimento Literário Extremo Norte e tantas outras, sempre morando de favor em casas cedidas por sonhadores de boa vontade. Quanta procura e quanta promessa! Em meados do ano de 2007, enfim, surge uma luz no fim do túnel, ou melhor, no início do túnel de mangueiras da Avenida Nazaré: o coreto da Casa da Linguagem, denominado Espaço “Max Martins”, quando dois moradores da “Cova dos Poetas”, Alberto Abadessa e Ney Cohen tiveram a ideia de transformá-lo num espaço de referência do autor paraense e sua obra. Com esse pensamento procuraram a Secretaria de Educação e me convidaram a embarcar nesse sonho. Com o sinal verde da Seduc foi realizada, no dia 19 de junho de 2007, com a presença de outros escritores, a primeira reunião com a Fundação Curro Velho / Casa da Linguagem para se discutir o assunto. A partir daí a ideia evoluiu para a forma de projeto no qual a Secretaria vislumbrou um valioso instrumento de auxílio à educação por facilitar a aproximação da comunidade escolar com os nossos autores, com a nossa literatura. Assim, através de um convênio entre a Seduc e a Fundação Curro Velho, foram implementadas obras de reforma e adequação do espaço à nova função, agora equipado com estantes para exposição e comercialização de livros, computadores para consultas on line, cadastros impressos e virtuais com site próprio e pessoas qualificadas para atender os autores e a comunidade em geral.

Dois anos e um dia após a primeira reunião, recebemos, o nosso espaço, a nossa “Cabana” preconizada no poema de Max Martins. Um espaço pequeno mas aconchegante como um ninho, como um colo materno.

O Espaço do Escritor Paraense “Max Martins”, foi entregue ao público no dia 20 de junho próximo passado, data de aniversário de nascimento de Max Martins, o poeta homenageado. É um espaço de todos e para todos mas para que tenha vida longa e luminosa, é necessário que cada um de nós dê sua parcela de contribuição.

Portanto, meu caro escritor, não é necessário dizer ao povo que esta casa é tua, mas “é preciso dizer-lhe que tua casa é segura / que há força interior nas vigas do telhado / e que atravessarás o pântano penetrante e etéreo / e que tens uma esteira / E que tua casa não é lugar de ficar / mas de ter de onde se ir.”

(Poema “A Cabana” de Max Martins)